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BOLSONARO DA AULA DE GESTÃO DA INFLUÊNCIA

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A política nos ensina muito sobre técnicas de gestão da influência. Para ser exato, o meio político é a essência da gestão da influência. Tancredo Neves (se não me falha a memória), dizia que mineiro pensa uma coisa, fala outra e executa uma terceira opção. Comportamento típico dos políticos mais habilidosos na arte de influenciar.

Nesse sentido, voltando para os dias atuais, engana-se quem pensa que o atual governo liderado por Jair Bolsonaro se resume a um bando de malucos atirando uns contra os outros. Me refiro especificamente aos embates públicos entre os seguidores do teólogo Olavo de Carvalho e a ala militar do governo.

Não que as divergências e ataques mútuos sejam dissimulados. De fato, trata-se de visões e objetivos conflitantes. Aqui, do ponto de vista da gestão da influência, nos interessa analisar o comportamento do presidente como gestor destes conflitos internos.

Ao clã Bolsonaro, interessa manter este clima tenso como mecanismo de controle e dispersão da atenção. Trata-se de uma estratégia de gestão muito comum no meio coorporativo. Um modelo baseado no estímulo à competição interna como forma de motivação e controle.

Serve como mecanismo de controle porque, ao empoderar tanto um lado quanto o outro, dependendo da situação, mantém olavistas e militares alertas e comprometidos com o governo sempre à espera de que o presidente arbitre a rusga da vez. Os militares já perceberam o jogo e tentam não mais responder ao “fogo amigo”.

Outra função desta gestão baseada no estímulo ao conflito é dispersar a atenção de quem está de fora. A audiência adora um folhetim recheado de disputas travadas à luz do dia no centro do poder. Por consequência, a mídia embarca nessa novela renovada quase que diariamente dedicando amplo espaço aos socos e pontapés virtuais e relegando questões realmente importantes ao segundo plano.

Por enquanto, o modelo de gestão do presidente Jair Bolsonaro tem dado resultado. O problema é que a gestão pelo conflito demanda mais energia e tende a perder parte do efeito a médio e longo prazo. Sem contar que é muito mais arriscado na medida em que esticar demais a corda pode resultar em rompimentos perigosos. Saber administrar esta linha tênue alicerçada na tensão permanente é o principal desafio do gestor que opta por este modelo de gestão da influência.

Cezar Honório Teixeira é jornalista e especialista em gestão da influência (liderança, coaching, gestão de imagem) pela www.czgestaodainfluencia.com.br e também atua como consultor associado na MPrado Consultoria empresarial

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