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Brumadinho, e a gestão da influência

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No processo de gestão da influência, a disciplina gestão de crise é de suma importância. Principalmente em função dos altos riscos oferecidos a qualquer operação frente a uma situação que gere comoção popular e, por consequência, altíssimo interesse da mídia.

A tragédia humana e ambiental provocada pelo rompimento da barragem de rejeitos industriais da Vale em Brumadinho, região metropolitana de Belo Horizonte, é o exemplo mais recente do vasto histórico de crises desencadeadas a partir de tragédias como esta.

Do ponto de vista da gestão da influência em ambientes de crise, tanto a Vale quanto os órgãos públicos têm seguido à risca o manual de atuação em situações pós crise. Por exemplo, têm procurado repassar informações o mais rápido possível (notas e coletivas de imprensa). Em crises, principalmente as que envolvem mortes, a busca alucinada por informações é natural e inevitável.

A empresa, assim como os governos estadual e federal, montou comitês de gestão de crise. Isso é importante para agilizar o processo de tomada de decisão. Criaram um centro de informações para reunir os familiares das vítimas da tragédia. Essa medida é importante por vários motivos. Entre eles, agiliza o repasse de informações oficiais e facilita o suporte emocional aos familiares na medida em que uns solidarizam-se com a dor dos outros. E por aí vai.

Mas o que faltou para a Vale e para os órgãos de fiscalização? Faltou o principal no processo de gestão de crise que é o trabalho anterior às ocorrências que podem colocar em risco vidas, meio ambiente e, por consequência, a reputação e até a sobrevivência da organização.

A tragédia de Brumadinho mostra que a Vale não aprendeu com o desastre de Mariana há três anos. De outra forma, teria feito o mais importante em gestão de crise que é o mapeamento dos riscos e definição de ações efetivas para preveni-los ou evitá-los.

Não sou especialista em engenharia, mas parece lógico que qualquer análise de gestão de riscos apontaria como não recomendável, por exemplo, que a área administrativa da empresa fosse instalada na rota de um eventual rompimento de barragem.

Assim como um bom mapeamento de riscos teria indicado a necessidade de se criar um sistema eficiente de alerta para o caso de acidentes como o que ocorreu com as estruturas da Vale.

A empresa de mineração pecou onde a maioria das empresas falha, ou seja, no trabalho de prevenção à crise. Essencialmente um aprofundado mapeamento de riscos com um consequente planejamento contendo as ações necessárias para minimizar danos em potencial.

Sem esse trabalho de prevenção, as ações pós crise, por mais bem executadas que forem, terão pouco ou nenhum efeito do ponto de vista de assegurar um mínimo de credibilidade que será a base para a reconstrução futura da reputação da organização bem como dos órgãos públicos de fiscalização.

Tanto que, até o momento, a Vale só divulgou ações futuras como, por exemplo, a retenção de dividendos de acionistas para custear eventuais indenizações. Nunca é tarde para aprender e principalmente passar a fazer diferente. Bem diferente…

Acesso o canal do YouTube e assista ao vídeo com esta e outras análises pelo www.czgestaodainfluencia.com.br

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