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Campanha pelo voto nulo

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A descrença com a política partidária tem vários efeitos práticos. A maioria, negativos para o futuro do Brasil na medida em que beneficia os políticos ruins. Leia-se, por exemplo, a turma envolvida até o pescoço nos escândalos de corrupção e que ainda está espalhada pela Esplanada dos Ministérios. O principal efeito nocivo, no entanto, é o crescente número de eleitores que se recusam a participar das eleições seja não comparecendo às urnas ou votando branco e nulo.

Do ponto de vista da gestão da influência, se omitir é o meio mais rápido e eficaz para perpetuar o mal. Em política, essa máxima pode ser elevada à décima potência. Saiba que votos nulos e brancos viram uma mera estatística no rodapé das reportagens sobre as apurações dos votos. Não funciona como mecanismo de protesto. Os políticos não estão nem aí para a sua ausência. Para se ter uma ideia do tamanho do problema, nas eleições presidenciais de 2014, 20% do eleitorado não apareceu para votar. Estamos falando de mais de 20 milhões de pessoas. Outros 10% votaram branco ou nulo. Ou seja, praticamente um terço dos eleitores se omitiram no processo. O resultado, entre outros, é a qualidade lamentável do Congresso Nacional. Em especial, da Câmara dos Deputados.

Nas eleições seguintes, 2016, quando elegemos prefeitos e vereadores, o cenário foi ainda pior. Ou seja, mesmo na disputa em que os candidatos deveriam estar mais próximos dos eleitores por meio de plataformas voltadas ao dia-a-dia da cidade ou mesmo do bairro, o número de omissos, por assim dizer, aumentou. No Rio de Janeiro, por exemplo, só a abstenção no segundo turno chegou próximo a 30%. Somada aos votos brancos e nulos praticamente metade dos cariocas simplesmente se recusaram a escolher um candidato a prefeito. O resultado foi que a soma do chamado “não voto” foi maior do que a votação do vitorioso Marcelo Crivella. O que, convenhamos, compromete a legitimidade do pleito. No caso do Rio, a ausência de um candidato moderado e a descrença ainda maior com a política em função dos escândalos de corrupção, certamente puxaram este número para cima. Mas, no geral, a média do “não voto” no Brasil de 2016 passou dos 30% do eleitorado e nas eleições de 2018 esse índice tende a ser ainda maior.

O fato é que o não voto não ajuda a melhorar o cenário político nacional que realmente é desanimador. Melhor do que não aparecer para votar ou optar por anular o voto, é definir algum critério, por mais radical que seja, na escolha do candidato a presidente, governador, senador ou deputado. Por exemplo, em vez de branco ou nulo, você pode definir como critério não votar em ninguém que esteja disputando a reeleição. Ou, ainda mais rígido, não votar em nenhum nome que já tenha ocupado cargo eletivo. Esse posicionamento iria ao menos promover uma renovação nos atuais quadros da política.

Mas o ideal mesmo é buscar esta renovação com critério. Com metodologia. Por exemplo, além de escolher algum nome novo, você pode agregar uma análise da vida pregressa do sujeito. Pesquisar se já esteve envolvido em algum escândalo de corrupção ou mesmo se tem o nome sujo na praça. Hoje, basta dar um Google que, em cinco minutos, você já terá uma boa ideia de quem seja aquela pessoa. Certamente você já faz isso para checar a idoneidade de algum candidato a vaga de emprego ou mesmo para o interessado em virar genro.

É verdade que a política partidária no Brasil está de embrulhar o estômago.
E já faz tempo. Mas como não há solução sustentável para melhorar a política negando a política, é melhor você fazer a sua parte e procurar, pelo menos, escolher melhor nas eleições de outubro. Pense nisso.

Que assistir a este comentário? Basta clicar no canal do YouTube aqui:  https://www.youtube.com/watch?v=DSgOFhJHppY&t=13s

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