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Cinco tendências que irão impactar as eleições 2018

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Estamos em plena campanha eleitoral e ainda é difícil prever o que de fato irá acontecer principalmente na disputa presidencial. No entanto, há tendências claras para o pleito de 2018. Vejo cinco probabilidades principais em curso. Infelizmente, não são visões de futuro muito animadoras. Mas, em gestão da influência, trabalhamos com análises de cenários a partir de fatos e principalmente, no caso da política, sinais. Muitos deles, contraditórios ou imprecisos. Não há previsão de calmaria no horizonte. Portanto, vamos às cinco tendências levantadas pela www.czgestaodainfluencia.com.br:

12018, a eleição do “Não voto”: Entenda por não voto a soma de nulos, brancos e abstenções. Ou seja, o número de votos válidos irá cair substancialmente. Tanto na disputa majoritária quanto na proporcional. As eleições fora de época no Estado do Tocantins para governador mostraram isto. Por lá, no primeiro turno, metade dos eleitores anularam, votaram em branco ou simplesmente não apareceram diante da urna. No segundo turno o “não voto” bateu em 60%. Por consequência, o eleito foi respaldado por menos de 30% do total de eleitores. Em Uberlândia, em uma pesquisa realizada em junho deste ano, 43,2% afirmam que irão optar pelo “não voto” para presidente, no cenário sem o ex-presidente Lula na disputa. Cenário mais provável. Esta tendência pelo “não voto” criará uma legião de eleitos com baixa legitimidade e, por consequência, maior dificuldade para governar. Outra consequência provável é o favorecimento dos extremos tanto à esquerda quanto à direita. Afinal, eleitores mais engajados não deixarão de votar.

2 – A eleição da “Fake News”: Este tema mereceria um artigo exclusivo. Aqui, digo apenas que as notícias falsas, criadas por profissionais contratados por adversários políticos, criarão uma guerra em particular. Ao eleitor comum, ficará ainda mais difícil separar o joio do trigo. Como rede social digital serve basicamente para destruir imagem e não construir, será um salve-se quem puder.

3 – Baixa renovação: Ao contrário do que muitos esperavam, a tendência é de uma renovação dentro da média histórica tanto para o Senado quanto para a Câmara dos Deputados e Assembleias estaduais. Três fatores atuarão neste sentido: tempo curto de campanha (dificultando os novos serem conhecidos pelo eleitor); Quem tem mandato levará grande vantagem (recall  de outras eleições e estrutura de gabinete); Mais dinheiro, mais votos (candidatos mais ricos poderão colocar recursos próprios na campanha sem limitação).

4 – Crescimento pulverizado das legendas: Vale para as eleições proporcionais em função das coligações para deputado acertadas a partir de acordos em nível nacional. Em outras palavras, o chamado “Centrão” irá crescer nos parlamentos. Já em nível majoritário, os grandes continuarão grandes. Com exceção do PT, caso a estratégia “kamikaze” usando o ex-presidente Lula não dê em nada. O PSDB também corre grande risco se o ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin sequer chegar ao segundo turno.

5 – Eleição da imprevisibilidade: Outra tendência que mereceria uma análise mais aprofundada. O fato é que tanto o aumento do “não voto”, em função da descrença generalizada na política, quanto o “fator Lula” (o quanto o ex-presidente realmente irá influenciar as eleições) deixam a disputa para presidente imprevisível e com viés de favorecimento para candidatos extremistas tanto à direita quanto à esquerda. Já nos Estados o cenário tende a ser diferente. Em Minas, por exemplo, a polarização PSDB/PT será a mesma de sempre.

Em gestão da influência, analisamos probabilidades. Isso é possível mesmo em cenários instáveis como os da política. A sorte está lançada e, querendo ou não, você está diretamente envolvido e será impactado de uma forma ou outra. Sugiro pensar em critérios objetivos e não emocionais para decidir em quem votar. Isso vale principalmente para as escolhas de candidatos a deputado. Melhorar o nível dos parlamentos é uma responsabilidade de todos nós. Hoje e sempre.

Cezar Honório Teixeira

Consultor em Gestão da Influência pela www.czgestaodainfluencia.com.br

*Artigo publicado originalmente na revista Cult

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