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O risco de um salvador da pátria

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O Brasil deve experimentar em 2018 um número recorde dos chamados candidatos fora do eixo. Os que se apresentam como não políticos: Luciano Huck para presidente, Bernardinho para governador do Rio. Atualmente, o principal exemplar dessa espécie, por assim dizer, é o prefeito de São Paulo João Dória Júnior.

O fenômeno se desenvolve na esteira do desgaste da política tradicional. A classe política caiu em total descrédito depois dos escândalos de corrupção revelados pela Lava Jato envolvendo as principais legendas.

E é justamente aí que mora o perigo. É uma ilusão, uma fantasia de uma noite de verão imaginar que uma pessoa, por mais idônea e popular que seja, conseguirá salvar o Brasil do atoleiro moral em que se encontra.

A fantasia passa à alucinação se estes salvadores da pátria se candidatarem por partidos envolvidos até o pescoço na Lava Jato. Huck, por exemplo, negocia com PPS e Democratas. Dória, pode ser candidato pelo PMDB de Michel Temer e Renan Calheiros.

Mesmo Bernardinho, filiado ao Partido Novo, não sinaliza para uma perspectiva mais animadora. Ser candidato por legendas viciadas na velha política é ruim, mas concorrer por um partido sem estrutura e base eleitoral, também não é nada animador.

Não dá para fazer política sem ser político. Gestão da influência na esfera política passa essencialmente pela capacidade de mobilização e principalmente aglutinação de interesses. Ganhar a eleição é uma coisa, governar é outra completamente diferente.

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