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Voto útil pra quem?

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O termo “voto útil” foi amplamente difundido nestas eleições na disputa pela presidência. Principalmente por partidários do presidenciável Jair Bolsonaro que buscam elegê-lo no primeiro turno evitando um provável mano a mano com o PT na segunda etapa da disputa. Do ponto de vista da gestão da influência, a estratégia dos militantes pró de Bolsonaro está correta na medida em que a rejeição do candidato do PSL é a maior entre os candidatos. Já do ponto de vista do processo eleitoral democrático, não. O segundo turno existe exatamente para eliminar a necessidade do voto útil da primeira fase da campanha, uma vez que a decisão pode ser em dois turnos.

A mesma lógica, no entanto, não vale para as disputas proporcionais. Ou seja, para deputados estaduais e federais. Neste caso, o voto útil faz um certo sentido. Ao menos para quem tem a intenção de privilegiar candidatos da cidade ou região em que vive. Muita gente desconhece o sistema eleitoral proporcional. Nele, não vence quem tem mais votos. A eleição é determinada pelo coeficiente eleitoral que é a soma de todos os votos válidos para deputado federal, por exemplo, divididos pelo número de vagas disponíveis para cada Estado. Por isso, é comum um candidato com menos votos ser eleito e um candidato com mais votos ficar fora. Isso acontece porque o partido ou coligação do primeiro alcançou o coeficiente eleitoral enquanto o do segundo ficou abaixo do mínimo necessário.

Assim, interessa o total de votos do partido ou coligação e não o número de votos de cada candidato. Desta forma, você pode votar em um determinado candidato a deputado e acabar elegendo outro de uma região completamente diferente da sua. Devemos sempre votar livremente de acordo com a nossa consciência. Mas, se deseja atuar no sentido de aumentar a representatividade da sua cidade ou região, use dois critérios para este “voto válido”.

Primeiro escolha um candidato da cidade ou região. Segundo procure saber as reais chances deste candidato ser eleito. Por exemplo, quantos votos este candidato já teve em outras disputas eleitorais. Mas também é importante averiguar o partido ou coligação deste candidato. Se ele estiver em coligações com grandes partidos, certamente precisará de mais votos para se eleger por estar disputando com políticos já consagrados pelas urnas. Para ter esta noção, basta dar um Google e ver o tamanho de cada bancada em Minas, por exemplo, e ver como estão formadas a coligações.

Este conceito de “voto válido” faz mais sentido para a disputa proporcional pelo conceito de proximidade. É muito mais fácil cobrar de um representante da sua cidade ou região. Pela mesma lógica, é natural que este representante mais próximo priorize as questões relacionadas aos interesses da sua comodidade. Além disso, claro, não deixe de pesquisar a vida pregressa do sujeito. Ver se é ficha limpa mesmo e se demonstra coerência na atuação pública. Bom voto…

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